A arte e a moda

fragonard

MODA, um fenômeno social, ocidental, recente.

A moda é um todo harmonioso mais ou menos indissolúvel que reconcilia o conflito entre o impulso individualizador e socializador, o primeiro sendo a necessidade do indivíduo de se afirmar como pessoa e o segundo como membro de um grupo. A moda é um fenômeno sensível às mais leves transformações do gosto, manobrada por um grupo cujo mérito principal é conhecer a fraqueza humana e principalmente feminina. A moda poderia ter sido arte antes mesmo do advento da industrialização que a transformou em uma organização econômica do desperdício intensificado pela diminuição da exigência do público. Na moda o jogo é reforçar a ignorância do consumidor, afastando o do pensamento do preço do material e do artesanato durável e encorajando o gasto na produção, impedindo o desenvolvimento independente do gosto. A necessidade que a moda tem de obsolência afasta o consumidor de repousar em seus próprios valores estéticos com a ajuda do marketing e da propaganda. Ligada as elites é um fenômeno que no último século tem sido fortemente influenciado por camadas mais baixas da sociedade.
A moda não é a única manifestação estética que se apoia na propaganda e nem a única a sofrer com seu impacto, no caso da moda com a produção em série os preços caem e também a qualidade, junto a um público consumidor cada vez maior e menos exigente. O criador de moda não força seu sentido, ele percebe o desejo do publico. O impulso artístico do designer de moda mais do que qualquer outro criador alerta sua sensibilidade para o momento social e pressente os esgotamentos estéticos. Como o poeta o costureiro é apenas o porta voz de uma corrente que se esboça e cuja tomada de consciência se antecipa.
A moda tem uma relação profunda com a arquitetura, que afetou a roupa que modificou a anatomia. Para James Laver, cada época possui suas unidades estéticas básicas, que se refletem nas diversas artes contemporâneas. Na observação de Willet Cunnington existe uma relação direta entre a linha da saia e os cálices invertidos da era Isabelina e a saia tubular da regência e a taça de champanha. Para Heard a a evolução se efetua da arquitetura para as roupas. Para Laver a moda é a precursora do gosto que irá imperar na decoração das casas e então em segunda na arquitetura.
Cunnington inseriu o movimento entre os princípios estéticos definidores da moda. Definiu a moda como arte autônoma que tenta com a mesma dignidade das outras artes do espaço solucionar problemas e ultrapassar dificuldades técnicas, encontrando para si uma linguagem própria.

O funcionalismo se apresenta primeiro nas roupas entre os anos de 1926 e 1930, mais tarde na decoração das casas e posteriormente a partir de 1930 na arquitetura. Porém a influência direta da arquitetura em outras áreas como a moda, somente poderá ser mais bem percebida a partir do Modernismo, com o movimento francês “Art Noveau”.

A pintura também colabora com a moda interferindo no esquema cromático, fornecendo motivos para os acessórios ou para a estamparia. A predominância da cor sobre a forma caracteriza a pintura moderna desde os românticos. Inversamente a moda sempre foi um pretexto para a pintura, impondo como a natureza as suas formas ao artista.

A vestimenta vive na plenitude não só do colorido mas do movimento. A conquista do espaço, distingue a moda das outras artes, tornando a uma forma estética especifica, a mais viva e mais humana,  jogando com o improviso, dependendo do gesto. A roupa é uma obra de arte inacabada, dependente do corpo para sua finalização. O traje não existe independente do movimento pois esta sujeito ao gesto, e a cada volta do corpo, afetando novas formas e tentando novos equilíbrios, é o sorriso repentino de um rosto imóvel.

A moda como arte viva.

A autonomia da moda como arte está sujeita as condições sociais. A arte da vestimenta está ligada aos princípios morais, a diferenciação dos trajes femininos e masculinos se intensifica a partir do século XVI de um lado com relaxamento do domínio da igreja e de outro a libertação das mulheres. A partir de um determinado momento na história  a sociedade impõe a forma X para as mulheres e H para os homens, tal diversificação traduz o antagonismo entre os ideais femininos e masculinos não se tratando apenas de uma imposição estética. Não corresponde a uma preferência arbitrária, a moda é imposta pela tradição e condições sociais, assim como as cores e os tecidos, cuja a escolha independe do capricho individual sendo em larga escala sancionada pela sociedade. Traduz a necessidade do adorno, corresponde ao desejo de distinção social. O conforto das roupas está relacionado a sua funcionalidade, por tanto as classes menos favorecidas. O movimento, ausente no século XVI onde temos a impressão de que a pessoa está presa dentro de uma estrutura rígida, esta diretamente ligado ao sedentarismo das classes mais abastadas, o que começa a mudar a partir do século XVIII com o surgimento de uma vestimenta graciosa e desatada. No século XIX as profissões liberais, esportes, democracia e emancipação das mulheres, completam a metamorfose do traje como o conhecemos hoje.

Personalidades relacionadas

 

Bibliografia

O ESPÍRITO DAS ROUPAS – A moda do século XIX

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