Apelo sensorial

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Foi-se o tempo em que a expressão “parece artesanal” era pejorativa. A industrialização acelerou as produções, a Haute couture viu seus anos de glória ficando para trás e o ready to wear invadiu as prateleiras das lojas e dos closets de todas as mulheres pelo mundo. Não restou nem um cantinho em que o feito a mão não fosse considerado uma coisa “pobrinha” e sem valor. Mas isso, claro, na opinião  de uma massa consumista que se orgulha de pagar uma nota preta em um modelo que não é único, muito pelo contrário, as pessoas pagam uma fortuna para parecer que elas mesmas acabaram de sair da esteira da linha de produção de alguma fábrica. No século passado a moda deu uma engatada na quinta marcha e saiu correndo em disparada. Algumas vezes sem saber bem onde ia e outras dando uma rezinha para buscar inspiração. Fato é que não tem muito para onde correr quando praticamente tudo ja foi inventado, reinventado, relido, rasgado, remendado… Parece que já fomos e voltamos algumas vezes nessa viagem da indumentaria. Evoluindo com a ajuda das inovações tecnológicas, parece que resolvemos olhar com mais carinho para o crochê da vovó. Por razões também sociais que sempre influenciaram a moda acredito que estamos entrando em uma nova era de consumo. O apelo sensorial por meio de técnicas de beneficiamento invadiu as passarelas. O uso de diferentes bases criando um mix de texturas, cores e estampas veio com tudo. De um lado os bordados artesanais de outro as inovações têxteis e o contraste entre materiais naturais e tecnológicos. A roupa como uma experiência tátil, visual e emocional é o que vai inspirar os designers e encantar os clientes daqui para frente.

Isso me lembra a marca de luxo com sede em Londres Mary Katrantzou. Lançada em 2008 e amplamente reconhecida como pioneira na revolução da impressão digital.

Através de inovações têxteis a marca criou uma linguagem visual diferenciada, um verdadeiro artesanato digital se podemos chamar assim. Suas coleções temáticas são inspiradas na arte e no significado cultural de design. Embora a marca conte com a inovação da engenharia de precisão para criar formas e texturas desejáveis e imediatamente reconhecíveis, as últimas temporadas confirmam que existe uma busca pelo diferencial no resgate as origens, a alma da roupa, a valorização do que a tempos havia sido deixado para trás.

O conceito distinto e inovador da marca conquistou parcerias com outros grandes nomes da moda como ADIDAS e TOP SHOP.

A ideia agora é  manter a estrutura clássica da peça mas com um diferencial, trazendo os bordados, rendas e tules; A fantasia contra a realidade de uma camisa de algodão simples.

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